Ela é a rapariga que lê enquanto espera no café ao fundo da rua. Se espreitares a chávena, vês que a espuma do leite ainda paira por cima, porque ela já está absorta. Perdida num mundo feito pelo autor. Senta-te. Ela pode ver-te de relance, porque a maior parte das raparigas que lêem não gostam de ser interrompidas. Pergunta-lhe se está a gostar do livro.
Oferece-lhe outra chávena de café com leite.
É fácil namorar com uma rapariga que lê. Oferece-lhe livros no dia de anos, no Natal e em datas de aniversários. Oferece-lhe palavras como presente, em poemas, em canções. Oferece-lhe Neruda, Pound, Sexton, cummings. Deixa-a saber que tu percebes que as palavras são amor. Percebe que ela sabe a diferença entre os livros e a realidade – mas, caramba, ela vai tentar fazer com que a vida se pareça um pouco com o seu livro favorito. Se ela conseguir, a culpa não será tua.
Ela tem de arriscar, de alguma maneira.
Mente-lhe. Se ela compreender a sintaxe, vai perceber a tua necessidade de mentir. Atrás das palavras existem outras coisas: motivação, valor, nuance, diálogo. Nunca será o fim do mundo.
Desilude-a. Porque uma rapariga que lê compreende que falhar conduz sempre ao clímax. Porque essas raparigas sabem que todas as coisas chegam ao fim. Que podes sempre escrever uma sequela. Que podes começar outra vez e outra vez e continuar a ser o herói. Que na vida é suposto existir um vilão ou dois.
Porquê assustares-te com tudo o que não és? As raparigas que lêem sabem que as pessoas, tal como as personagens, evoluem. Excepto na saga Crepúsculo.
Vais declarar-te num balão de ar quente. Ou durante um concerto de rock. Ou, casualmente, na próxima vez que ela estiver doente. Pelo Skype.
Vais sorrir tanto que te perguntarás por que é que o teu coração ainda não explodiu e espalhou sangue por todo o peito. Juntos, vão escrever a história das vossas vidas, terão crianças com nomes estranhos e gostos ainda mais estranhos. Ela vai apresentar os vossos filhos ao Gato do Chapéu e a Aslam, talvez no mesmo dia. Vão atravessar juntos os Invernos da vossa velhice e ela recitará Keats, num sussurro, enquanto tu sacodes a neve das tuas botas.
Namora uma rapariga que lê, porque tu mereces. Mereces uma rapariga que te pode dar a vida mais colorida que consegues imaginar. Se só lhe podes oferecer monotonia, horas requentadas e propostas mal cozinhadas, estás melhor sozinho. Mas se queres o mundo e os mundos que estão para além do mundo, então, namora uma rapariga que lê.
Ou, melhor ainda, namora uma rapariga que escreve."
(Texto de Rosemary Urquico, encontrado no blog de Cynthia Grow. Tradução “informal” de Carla Maia de Almeida para celebrar o Dia Mundial do Livro, 23 de Abril.)
Quando acabei de ler o texto fiquei petrificada, pois quem me conhece sabe que é a descrição perfeita da minha pessoa. Tenho sempre um livro na mala. Tenho um cartão de biblioteca desde dos nove anos. Dou gritos nas livrarias quando encontro o dito livro. Tenho um ar muito estranho, por norma chamam-me de esquisita, e estou a ser simpática com o termo porque já me chamaram de bem pior. Tenho por habito por flores secas, na sua maioria alfazema, e flores que me oferecem dentro livros velhos. Adoro café, por isso se estiver numa esplanada de café a ler em vez de beber, apesar de preferir café frio, é normal, não me julguem, gostos são gostos. Se falarem comigo enquanto leio, eu rosno-vos, literalmente. Nunca digo se gosto de um livro ou não sem chegar ao veredicto final, ate la digo o que acho do elenco de personagens. Nunca li nada de Murakami, apesar de o desejar fazer, um erro a corrigir. Nunca li Ulisses, de James Joyce só conheço alguns poemas e citações, como os estados de espírito invertidos pelos dias de semana, uma das minhas favoritas. Se gosto da Alice, ou se queria ser a Alice? Quem me conhece sabe a resposta a pergunta. "Aren't we curious? Curious, curious, curious". Sempre achei que era fácil oferecer-me algo visto que gosto de muitas e determinadas "coisas", mas nos últimos dois anos ficou-se a saber que afinal, segundo os meus amigos, é uma tarefa árdua de executar. Sei distinguir a realidade, seja o que isso for ou que qualquer um achar o que é, da ficção dos livros mas, como a minha querida Deia diz sempre, para realidade já basta a vida do nosso dia-a-dia. Odeio a Saga Crepúsculo, alias não passei do primeiro livro e não pretendo fazê-lo, se algum dia o fizer é porque preciso de ajuda, ou entao enganei-me no livro. Já chorei tantas vezes pelas tantas da madrugada, de momento lembro-me da morte de Sirius Black, Albus Dumbledore, Tonks e Lupin e o final de "O Livro Das Coisas Perdidas", pobres livros estão, as ondinhas, como dizia em pequena. Adoro surpresas românticas -que posso eu fazer?- de tanto ler o meu coração tornou-se romântico e esperançoso. Se tiver a felicidade de um dia ter filhos, é garantido que terão nomes estranhos. Os meus gostos estranhos? HAHAHA, mais do que estranhos -garanto-vos!- por isso os filhotes irão sair ao lado materno. Os meus filhos irão estudar em Hogwarts, Cheshire e Calcifer hão-de ser os nossos animais de estimação e vamos passar as ferias de Verão em TerraMar e na Terra do Nada (WasteLand). Depois disto tudo, quando não me apetece ler, vou escrever o que ainda não foi dito.
Enfim, adorei o texto e tenham cuidado porque para além de mim, tenho muitas amigas que encaixam neste perfil, creio que nos podem chamar de a nova génese. Pois é, o que antes era visto como falta de etiqueta e maus modos sociais, provenientes do seio familiar, actualmente é uma honra encontrar uma mulher prendada e conhecedora da escrita e literatura.
Obrigada por seguirem o Blog, em caso de dúvidas, estejam à vontade!
Cris
e Boas Leituras!





OI menina!!! Andas-te desaparecida!!! Está tudo bem?? O texto é lindo, mas deu-me a sensação que se está a passar qualquer coisa... Está tudo bem??
ResponderEliminarAdorei a nova skin do blog!
OMG!! Adorei este texto!!! Mais uma que se identifica neste lado... Deixa ver... Sim, o meu dinheiro é gasto em livros (ridiculamente gasto em livros...); Sim gasto mais dinheiro em livros que roupas, aliás odeio ir ás compras, a não ser que seja uma livraria; Sim tenho lista de livros que quero ler; Não tenho cartão de biblioteca - tenciono ter - mas com o vicio dos livros a passar de geração a geração, o escritório da mamã é quase como uma biblioteca; Sim há sempre um livro por ler na minha mala; Sim , eu sou estranha numa livraria (as nossas viagens a livrarias são lendárias...); Sim eu AMO o cheiro dos livros; Sim tenho a mania de ler nos cafés e etc, com uma óptima chávena de café, ou chocolate quente, ao lado; Sim fico absorta quando estou a ler, mas acho que nunca rosnei a ninguém que me tenha interrompido; Não li nada de Murakami ou James Joyce e não gostaria de ser a Alice, não gosto sequer do livro; Livros no aniversário? Isso é tipo o básico de prendas para a Misa; Sou uma romântica, e sim quero fazer a minha vida parecer um livro; Sim percebo a diferença mas preferia pessoalmente que não existisse essa diferença; Sim também detesto a Saga da Luz e Escuridão, apesar de ter lido os livros e os visto os filmes porque tem dos melhores momentos estúpidos!; Sim, falo das personagens dos livros como se fossem pessoas reais; Acho que chorar, chorar, nunca mas já fiquei triste...; Se tiver filhos é óbvio que lhes vou dar nomes estranhos e se herdarem os meus gostos, vão ter gosto estranhos e sim lerei para eles:D; E, SIM, eu quero escrever!
Wow.... São mesmo muitas coisas...
Enfim... vai dizendo qualquer coisa!!1 Parece que já foram séculos desde de Lagos... (por falar nisso quando é que acabam as tuas aulas?)
BACI!
Adorei este texto :D
ResponderEliminaré a descrição perfeita. O meu dinheiro é sem dúvida gasta em livros, muito mais do que roupas, porque simplesmente odeio ir às compras (a não ser que seja uma livraria, uma papelaria ou loja de animais);tenho várias listas de livros que quero ler; quem me conhece sabe que eu não sou grande apreciadora de malas, mas um livro é sem duvida uma das coisas que nela não falta; apenas recentemente é que obtive o meu cartão da biblioteca. desculpem, mas antes de cerca de 4 anos, contava-se peça mão o numero de livros que tinha lido, algo que felizmente e graças à Misa e Cris corrigiu :D; detesto de café (desculpem, mas gostos não se discutem), mas estou sempre no café a ler enquanto espero pelo meu pedido. acho que as senhoras já me conhecem e sabem que têm de vir "tirar-me" do mundo do livro para saber se aquele é ou não o meu pedido; se gostava de ser a Alice? Claro que sim. já viram bem aquele mundo? ah, como a mente de uma criança pode ser maravilhosa :D ; Se sei distinguir a realidade dos livros? infelizmente sei, com muita dificuldade, mas sei. se bem que ache, como a Cris mencionou, que para a realidade já basta a vida; adorava que a minha vida fosse como uma das histórias, seria tão mais... ; sei que existem heróis e vilões, se bem que goste muito mais dos vilões (não tenho culpa, gosto muito mais dos bad-boys, mas muito mais divertidos); Chorar? quantas vezes já não o fiz, se bem que tenho um chorar diferente, como as minha amigas dizem. Choro enquanto riu, o que tona a cena um pouco esquisita e faz com que as pessoas olhei para ti, principalmente quando choro/riu nos corredores ou no eléctrico (pois, infelizmente já aconteceu); Ah, como eu queria mergulhar nas páginas dos livros e fixar lá, naqueles mundo maravilhosos :D ; sou uma espécie de romântica (atenção que o romance não é marmelada), adoro cenas românticas e queria que a minha vida fosse um mini romance dos livros :D Se tiver filhos, vou sem duvida apresentar-lhes o mundo dos livros e ter um Cherchire e um Calcifer como a Cris, e o Totoro será o meu vizinho :D Adoro ler e especialmente escrever. deixar as ideias fluírem, saírem através de letras, palavras, frases e textos, e especialmente de ver, ler e ouvir o que os outros acham e ficar "uau, será que é assim que a escritora sente quando vê as pessoas a ler o que ela escreveu?"
Ok, a lista é realmente grande :D mas nada é longo demais quando se gosta de ler :D
Jocas Cris :D