Olá e Bem-vindo(a)...

... Ao meu cantinho especial. Aqui, partilho com vocês tudo o que me é imprescindível. Poderás encontrar Ilustrações, Contos de Sempre contados e recontados, Música, Livros, Filmes, entre outros temas...

sexta-feira, 17 de junho de 2011

NAMORA UMA RAPARIGA QUE LÊ

Namora uma rapariga que lê. Namora uma rapariga que gaste o dinheiro dela em livros, em vez de roupas. Ela tem problemas de arrumação porque tem demasiados livros. Namora uma rapariga que tenha uma lista de livros que quer ler, que tenha um cartão da biblioteca desde os doze anos. Encontra uma rapariga que lê. Vais saber que é ela, porque anda sempre com um livro por ler dentro da mala. É aquela que percorre amorosamente as estantes da livraria, aquela que dá um grito imperceptível ao encontrar o livro que queria. Vês aquela miúda com ar estranho, cheirando as páginas de um livro velho, numa loja de livros em segunda mão? É a leitora. Nunca resistem a cheirar as páginas, especialmente quando ficam amarelas.
Ela é a rapariga que lê enquanto espera no café ao fundo da rua. Se espreitares a chávena, vês que a espuma do leite ainda paira por cima, porque ela já está absorta. Perdida num mundo feito pelo autor. Senta-te. Ela pode ver-te de relance, porque a maior parte das raparigas que lêem não gostam de ser interrompidas. Pergunta-lhe se está a gostar do livro.
Oferece-lhe outra chávena de café com leite.
Diz-lhe o que realmente pensas do Murakami. Descobre se ela foi além do primeiro capítulo da Irmandade. Entende que, se ela disser ter percebido o Ulisses de James Joyce, é só para soar inteligente. Pergunta-lhe se gosta da Alice ou se gostaria de ser a Alice.
É fácil namorar com uma rapariga que lê. Oferece-lhe livros no dia de anos, no Natal e em datas de aniversários. Oferece-lhe palavras como presente, em poemas, em canções. Oferece-lhe Neruda, Pound, Sexton, cummings. Deixa-a saber que tu percebes que as palavras são amor. Percebe que ela sabe a diferença entre os livros e a realidade – mas, caramba, ela vai tentar fazer com que a vida se pareça um pouco com o seu livro favorito. Se ela conseguir, a culpa não será tua.
Ela tem de arriscar, de alguma maneira.
Mente-lhe. Se ela compreender a sintaxe, vai perceber a tua necessidade de mentir. Atrás das palavras existem outras coisas: motivação, valor, nuance, diálogo. Nunca será o fim do mundo.
Desilude-a. Porque uma rapariga que lê compreende que falhar conduz sempre ao clímax. Porque essas raparigas sabem que todas as coisas chegam ao fim. Que podes sempre escrever uma sequela. Que podes começar outra vez e outra vez e continuar a ser o herói. Que na vida é suposto existir um vilão ou dois.
Porquê assustares-te com tudo o que não és? As raparigas que lêem sabem que as pessoas, tal como as personagens, evoluem. Excepto na saga Crepúsculo.
Se encontrares uma rapariga que leia, mantém-na perto de ti. Quando a vires acordada às duas da manhã, a chorar e a apertar um livro contra o peito, faz-lhe uma chávena de chá e abraça-a. Podes perdê-la por um par de horas, mas ela volta para ti. Falará como se as personagens do livro fossem reais, porque são mesmo, durante algum tempo.
Vais declarar-te num balão de ar quente. Ou durante um concerto de rock. Ou, casualmente, na próxima vez que ela estiver doente. Pelo Skype.
Vais sorrir tanto que te perguntarás por que é que o teu coração ainda não explodiu e espalhou sangue por todo o peito. Juntos, vão escrever a história das vossas vidas, terão crianças com nomes estranhos e gostos ainda mais estranhos. Ela vai apresentar os vossos filhos ao Gato do Chapéu e a Aslam, talvez no mesmo dia. Vão atravessar juntos os Invernos da vossa velhice e ela recitará Keats, num sussurro, enquanto tu sacodes a neve das tuas botas.

Namora uma rapariga que lê, porque tu mereces. Mereces uma rapariga que te pode dar a vida mais colorida que consegues imaginar. Se só lhe podes oferecer monotonia, horas requentadas e propostas mal cozinhadas, estás melhor sozinho. Mas se queres o mundo e os mundos que estão para além do mundo, então, namora uma rapariga que lê.
Ou, melhor ainda, namora uma rapariga que escreve."

 (Texto de Rosemary Urquico, encontrado no blog de Cynthia Grow. Tradução “informal” de Carla Maia de Almeida para celebrar o Dia Mundial do Livro, 23 de Abril.)

Quando acabei de ler o texto fiquei petrificada, pois quem me conhece sabe que é a descrição perfeita da minha pessoa. Tenho sempre um livro na mala. Tenho um cartão de biblioteca desde dos nove anos. Dou gritos nas livrarias quando encontro o dito livro. Tenho um ar muito estranho, por norma chamam-me de esquisita, e estou a ser simpática com o termo porque já me chamaram de bem pior. Tenho por habito por flores secas, na sua maioria alfazema, e flores que me oferecem dentro livros velhos. Adoro café, por isso se estiver numa esplanada de café a ler em vez de beber, apesar de preferir café frio, é normal, não me julguem, gostos são gostos. Se falarem comigo enquanto leio, eu rosno-vos, literalmente. Nunca digo se gosto de um livro ou não sem chegar ao veredicto final, ate la digo o que acho do elenco de personagens. Nunca li nada de Murakami, apesar de o desejar fazer, um erro a corrigir. Nunca li Ulisses, de James Joyce só conheço alguns poemas e citações, como os estados de espírito invertidos pelos dias de semana, uma das minhas favoritas. Se gosto da Alice, ou se queria ser a Alice? Quem me conhece sabe a resposta a pergunta. "Aren't we curious? Curious, curious, curious". Sempre achei que era fácil oferecer-me algo visto que gosto de muitas e determinadas "coisas", mas nos últimos dois anos ficou-se a saber que afinal, segundo os meus amigos, é uma tarefa árdua de executar. Sei distinguir a realidade, seja o que isso for ou que qualquer um achar o que é, da ficção dos livros mas, como a minha querida Deia diz sempre, para realidade já basta a vida do nosso dia-a-dia. Odeio a Saga Crepúsculo, alias não passei do primeiro livro e não pretendo fazê-lo, se algum dia o fizer é porque preciso de ajuda, ou entao enganei-me no livro. Já chorei tantas vezes pelas tantas da madrugada, de momento lembro-me da morte de Sirius Black, Albus Dumbledore, Tonks e Lupin e o final de "O Livro Das Coisas Perdidas", pobres livros estão, as ondinhas, como dizia em pequena. Adoro surpresas românticas -que posso eu fazer?- de tanto ler o meu coração tornou-se romântico e esperançoso. Se tiver a felicidade de um dia ter filhos, é garantido que terão nomes estranhos. Os meus gostos estranhos? HAHAHA, mais do que estranhos -garanto-vos!- por isso os filhotes irão sair ao lado materno. Os meus filhos irão estudar em Hogwarts, Cheshire e Calcifer hão-de ser os nossos animais de estimação e vamos passar as ferias de Verão em TerraMar e na Terra do Nada (WasteLand). Depois disto tudo, quando não me apetece ler, vou escrever o que ainda não foi dito.

Enfim, adorei o texto e tenham cuidado porque para além de mim, tenho muitas amigas que encaixam neste perfil, creio que nos podem chamar de a nova génese. Pois é,  o que antes era visto como falta de etiqueta e maus modos sociais, provenientes do seio familiar, actualmente é uma honra encontrar uma mulher prendada e conhecedora da escrita e literatura.

Obrigada por seguirem o Blog, em caso de dúvidas, estejam à vontade!
Cris 
e Boas Leituras! 

Pesquisar neste blogue

A minha Lista de blogues

Para Acompanhar...

Seguidores

Mensagens populares

Desafio a FANTASIA 2011